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Dois Rios, duas verdades: prosperidade e decadência

Por Vereador Flávio Valle


É inevitável que, ao iniciar um novo ano, façamos balanços e reflexões sobre o que passou. No caso do Rio de Janeiro, essa análise precisa ser feita em duplicidade: de um lado, a Cidade Maravilhosa, que cresce, atrai investimentos e turistas; de outro, o Estado do Rio, que se afunda em crises, omissões e falta de planejamento. O contraste é tão evidente que chega a ser doloroso para quem acredita no potencial da nossa terra.



A capital carioca encerrou 2025 com números que falam por si. A economia cresceu 2,9% em termos reais entre outubro de 2024 e de 2025, o mercado de trabalho registrou a criação de quase 379 mil empregos formais desde 2021, e a inflação acumulada ficou abaixo da média nacional. O turismo bateu recordes históricos: 12,5 milhões de visitantes movimentaram mais de R$ 27 bilhões na economia local, consolidando o Rio como destino internacional de destaque. Esses resultados não são fruto do acaso, mas de uma gestão municipal que entende a importância de políticas públicas bem desenhadas e executadas com eficiência.


Enquanto a Prefeitura do Rio investe para ampliar a mobilidade urbana, o Estado segue na direção contrária. O município subsidia a tarifa de ônibus, hoje em R$ 5,00, valor menor que o praticado em capitais como São Paulo (R$ 5,30), Belo Horizonte (R$ 6,25) e Florianópolis (R$ 7,70). Essa política garante acesso mais amplo ao transporte e, consequentemente, às oportunidades de trabalho. Já o metrô, administrado pelo governo estadual, cobra a tarifa mais cara do país: R$ 7,90, com previsão de aumento para R$ 8,20 em abril. O problema não é apenas o preço – é a ausência de contrapartida. As obras de expansão seguem paralisadas, a integração tarifária com outros modais praticamente não existe e as falhas técnicas são recorrentes. O resultado é um sistema caro, ineficiente e que simboliza a falta de gestão e compromisso do Estado com o cidadão. Na segurança pública, o cenário é ainda mais preocupante. A megaoperação de outubro de 2025, que resultou em mais de uma centena de mortos, não trouxe sensação de segurança duradoura para a população. Pelo contrário: manchou a imagem do Rio em plena realização da COP 30, quando o mundo voltava seus olhos para nós. O município, diante da omissão estadual, precisou investir centenas de milhões de reais na criação da Força de Segurança Municipal, que começará a atuar em março com 660 agentes. Mas é preciso lembrar: segurança pública é competência constitucional do Estado. O município não pode – e não deve – substituir quem deveria ser o protagonista nessa área.


O contraste entre cidade e Estado não se limita a números. Ele revela duas formas de governar. De um lado, uma gestão municipal que aposta em planejamento, responsabilidade fiscal e políticas de longo prazo. De outro, um governo estadual que insiste em medidas populistas, operações midiáticas e obras inacabadas, sem compromisso real com o cidadão. O resultado é que a capital cresce, gera empregos e atrai turistas, enquanto o Estado acumula crises fiscais, paralisa projetos e desperdiça recursos.


Como vereador, tenho trabalhado em propostas que reforçam o papel da cidade nesse processo de desenvolvimento. O Estatuto da Orla, a regulamentação de preços nas praias e a expansão do VLT para a Zona Sul são exemplos de iniciativas que buscam melhorar a vida do carioca e fortalecer nossa economia. Mas há limites claros: transporte metropolitano e segurança pública são atribuições estaduais. Não podemos permitir que a omissão do Estado continue a comprometer o futuro da Região Metropolitana.


O Rio de Janeiro não pode crescer sozinho. A capital tem feito sua parte, mas precisa de um Estado que esteja à altura de sua vocação. É hora de cobrar responsabilidade, planejamento e compromisso com a coisa pública. O cidadão fluminense merece mais do que operações de alto custo e baixa efetividade; merece políticas que tragam resultados concretos, duradouros e sustentáveis.


Se 2025 nos deixou uma lição, é que a cidade prova diariamente que gestão responsável gera resultados concretos. Já o Estado, atolado em crises e omissões, insiste em virar as costas para o cidadão. Não se trata de incapacidade, mas de falta de compromisso com a coisa pública. O Rio não pode continuar sendo vítima de um governo estadual que prefere operações midiáticas e obras paralisadas a políticas sérias e eficazes. Ou o Estado muda de rumo com coragem e responsabilidade, ou continuará arrastando milhões de fluminenses para a decadência. O futuro do Rio exige ação imediata — e não há mais espaço para desculpas.

 
 
 

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